Lanciano, Itália · por volta do ano 750

O milagre de Lanciano

Um monge que duvidava viu a hóstia virar carne e o vinho virar sangue. Em 1970, cientistas examinaram o que sobrou.

O milagre de Lanciano
Igreja de São Francisco, em Lanciano, onde as relíquias estão expostas. Foto de Luca Aless. CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Onde
Lanciano, Abruzzo, Itália
Quando
por volta do ano 750
O que houve
Carne e sangue
Onde está hoje
Igreja de São Francisco, em Lanciano (Itália), exposta desde 1713.

Um monge basiliano celebrava a Missa na pequena igreja de São Legonziano, em Lanciano, e carregava uma dúvida que não conseguia calar: estaria Cristo realmente presente naquele pão?

Conta a tradição que, no momento da consagração, a hóstia se transformou diante dele em carne, e o vinho no cálice em sangue, que logo coagulou em cinco glóbulos de tamanhos diferentes.

O que sobrou

As duas relíquias foram guardadas. Estão expostas até hoje na igreja de São Francisco, em Lanciano: a carne, fixada num ostensório; o sangue, em cinco fragmentos dentro de uma ampola de cristal.

O que impressiona é que nenhuma das duas foi tratada com conservante — e atravessaram doze séculos.

Os exames de 1970

Em novembro de 1970, com autorização da Igreja, o professor Odoardo Linoli, chefe do serviço de anatomia patológica do hospital de Arezzo e professor da Universidade de Siena, examinou amostras das duas relíquias. O trabalho foi refeito em 1971 e publicado.

As conclusões dele:

  • a carne é tecido muscular do miocárdio, ou seja, do coração;
  • o sangue é sangue humano real, do tipo AB;
  • as proteínas do sangue estão nas proporções normais de sangue fresco;
  • não há sinal de conservantes nem de qualquer substância de embalsamamento;
  • carne e sangue são da mesma pessoa.

Em 1973, o Conselho Superior da Organização Mundial da Saúde nomeou uma comissão que, depois de mais de quinhentos exames, confirmou os resultados de Linoli.

O que a Igreja diz

A Igreja jamais apresentou Lanciano como prova da fé. A presença de Cristo na Eucaristia não depende de sinal visível: crê-se pela palavra dele, não pelo microscópio.

O que a Igreja fez foi conservar, permitir o exame e deixar o caso aberto ao juízo de quem olha.

O que a Igreja reconheceu

Exames de 1970 e 1971, feitos pelo professor Odoardo Linoli, da Universidade de Siena, a pedido da Ordem dos Frades Menores Conventuais, com verificação da Organização Mundial da Saúde em 1973.

Fontes

O texto desta página foi escrito pelo Lumen Ecclesiae a partir dos fatos documentados nas fontes acima.