Ministério de Comunicação da Comunidade Filhos de Sião
Evento28 anos de Comunidade Filhos de Sião: "tornar o Amor amado"
Para celebrar os 28 anos da Comunidade Católica Missionária Mariana Filhos de Sião, o podcast O Chamado dedicou uma edição inteira a revisitar a história do carisma. O apresentador Felipe Osterno recebeu três consagrados da comunidade: Gláucia Rocha, também conselheira e membro da primeira turma, Paulo Filho e Roberta Fonteles. Ao longo de quase duas horas de conversa, os convidados costuraram lembranças, testemunhos de conversão e o sentido profundo de uma missão que nasceu pequena, no interior do Ceará, e hoje se espalha por várias paróquias.
A gênese: um retiro na Serra da Meruoca
Tudo começou no primeiro fim de semana de julho de 1998. Antes disso, desde 1996, um grupo de jovens já caminhava reunido em oração — o grupo Vida Nova em Cristo, herdeiro da experiência do coral Harpa de Sião e de um Seminário de Vida no Espírito Santo. Foi desse solo que brotou a comunidade.
No retiro realizado na Serra da Meruoca, ouvindo o relato de São Francisco de Assis e seu grito — "o Amor não é amado, o Amor não é amado" —, a fundadora Vander Lúcia Menezes Farias (a "Lucinha") respondeu com uma entrega que definiria tudo o que viria depois. Como os convidados fazem questão de sublinhar, não foi apenas uma aventura de juventude nem um momento de mera emoção: foi uma ruptura espiritual, uma oferta silenciosa e profunda que moldou a identidade mariana e missionária do grupo. Dia 5 de julho de 1998 é, desde então, a data de fundação.
Daquele domingo nasceu a razão de ser da comunidade: existir para amar o Amor que não é amado — ou, no lema que resume a missão, tornar o Amor amado.
Formação sólida desde o começo
Um traço que os convidados destacam é o cuidado, desde cedo, para não deixar a caminhada "solta". Ao lado da fundadora, o cofundador Francisco Adriano Silva ajudou a transformar um grupo de jovens em um corpo estruturado de louvor, adoração e missão.
Esse rigor apareceu no cuidado com a formação e na busca constante por alinhamento com a Igreja. Essa maturidade institucional precoce daria frutos concretos anos mais tarde: hoje a comunidade é uma Associação Privada de Fiéis com personalidade jurídica, reconhecida em definitivo pelo bispo diocesano, e vinculada às dioceses de Sobral e Itapipoca, dentro do universo da Renovação Carismática Católica e das Novas Comunidades.
Kairós 99: a comunidade se apresenta à cidade
Entre os marcos lembrados no episódio, o Kairós 1999 ocupa lugar especial — descrito como um verdadeiro ponto de apoteose missionária. Para que o evento acontecesse, a comunidade viveu uma mobilização total:
Intercessão contínua: um mês inteiro de adoração ininterrupta, preparando o terreno espiritual.
Esforço coletivo: da pintura de muros à busca de patrocínio e estrutura, tudo foi feito com as próprias mãos e muita ousadia.
Mais do que um evento, o Kairós serviu para validar a comunidade diante da cidade de Marco e tornar o nome "Filhos de Sião" conhecido e respeitado. Os relatos, ainda hoje emocionados, revelam o quanto aquele esforço uniu as pessoas.
Radicalidade, sacramentais e as primeiras consagrações
Os convidados recordam 2006 como um ano decisivo — o que chamam, com bom humor e afeto, de "ano da violência", no sentido evangélico de audácia espiritual: uma busca mais radical pela santidade. Foi o tempo da adoção dos primeiros sacramentais e das primeiras consagrações na comunidade.
Na leitura que fazem, o sacramental não é adorno, e sim sinal de pertença — algo que acompanha o consagrado em todo lugar, no trabalho e no lazer. E a consagração definitiva é vivida com a mesma seriedade e alegria de um matrimônio, selando um compromisso de vida que reflete o amadurecimento do carisma.
A paternidade de Monsenhor Waldir
O episódio reserva um momento de homenagem a Monsenhor Waldir, lembrado não apenas como um apoio, mas como verdadeira paternidade espiritual. Nos primeiros anos, ele "pegava no colo" e protegia a comunidade, inclusive legitimando práticas de oração carismática que, à época, podiam soar estranhas para parte da sociedade local. Grande incentivador do Kairós, foi um baluarte para a coesão do grupo e para o acolhimento da comunidade na cidade. Hoje reverenciado como Servo de Deus Waldir Lopes de Castro, sua memória permanece viva entre os Filhos de Sião como a de um pai que os acolheu na cidade de Marco.

Uma mensagem aos vocacionados
No encerramento, uma imagem simples e certeira de Felipe Osterno resume o espírito da conversa: a vida consagrada como uma "mesa de som", em que todos os aspectos — família, trabalho, missão — precisam estar equalizados, com o centro sempre em Deus.
O convite final é para que cada vocacionado chame Jesus para o "barco" da própria vida e siga em frente, guiado pelo lema de Filipenses 3,16: prosseguir decididamente, independentemente dos obstáculos ou das tempestades que apareçam.
São 28 anos que cabem numa frase e transbordam dela: tornar o Amor amado. Este episódio de O Chamado fica como registro vivo dessa missão — feita de conversões pessoais, de laços comunitários fortalecidos e da certeza de que, como cantam os Filhos de Sião, somos Sião, somos felizes.
> Somos a Comunidade Católica Missionária Mariana Filhos de Sião. Nascemos para amar o Amor que não é amado, para que outros O amem também.