Santa Rita de Cássia

Pintura de Juan Pedro López, século XVIII. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Santo

Santa Rita de Cássia

Margarita Lotti nasceu por volta de 1381 em Roccaporena, um povoado de montanha perto de Cássia, na Itália. Queria ser religiosa desde menina. Os pais, velhos e pobres, arranjaram-lhe casamento — coisa comum na época — com Paolo Mancini, homem de gênio violento, metido nas brigas de famílias que dividiam a região.

Rita viveu esse casamento por cerca de dezoito anos e teve dois filhos. Conta a tradição que a paciência dela acabou mudando o marido; e que, pouco depois de ele se reconciliar com Deus, os inimigos o mataram numa emboscada.

A oração mais dura

Pela lei daquele tempo e daquele lugar, cabia aos filhos vingar o pai. Os dois rapazes juraram fazê-lo. Rita fez então a oração que a tornou famosa: pediu a Deus que levasse os filhos antes que eles se tornassem assassinos. Os dois adoeceram e morreram em menos de um ano — perdoando, diz a tradição.

Sozinha, procurou o mosteiro agostiniano de Santa Maria Madalena, em Cássia. Foi recusada três vezes: a casa não queria envolvimento com as vinganças de famílias. Rita então fez o que ninguém esperava — foi falar com os Mancini e com os assassinos do marido, um por um, e conseguiu que assinassem a paz. Só depois disso as portas se abriram.

A ferida

Em 1442, rezando diante de um crucifixo e pedindo para partilhar da dor de Cristo, recebeu na testa uma ferida como de espinho, que não sarou e a acompanhou pelos últimos quinze anos de vida. A chaga cheirava mal e a obrigou a viver retirada das outras irmãs.

Conta-se também que, já de cama no inverno, pediu a uma prima uma rosa do jardim da casa velha — e a prima encontrou, em pleno janeiro, uma rosa aberta na neve. É por isso que se benzem rosas na festa dela.

Morreu em 22 de maio de 1457. Foi canonizada em 1900, pelo papa Leão XIII.

O que fica

Rita é chamada de santa das causas impossíveis porque a vida dela foi uma sequência delas: um casamento que não escolheu, um marido assassinado, dois filhos enterrados, três portas fechadas na cara. Ela não venceu nenhuma dessas coisas pela força. Venceu perdoando — e foi o perdão, não a resignação, que mudou a história da sua cidade.

No Brasil, 22 de maio enche igrejas. Muita gente leva uma rosa.


Dados biográficos reunidos do verbete da Wikipédia sobre Santa Rita de Cássia e das fontes ali citadas.

Padroeiro(a) de: Santa das causas impossíveis · Festa em 22 de maio

← Voltar aos santos