Santa Teresinha do Menino Jesus

Fotografia de Céline Martin, irmã de Teresinha, no Carmelo de Lisieux. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Santo

Santa Teresinha do Menino Jesus

Thérèse Martin nasceu em Alençon, na França, em 2 de janeiro de 1873, a caçula de nove irmãos — quatro morreram ainda pequenos. A mãe, Zélie, morreu de câncer quando Teresinha tinha quatro anos. O pai, Louis, mudou-se com as filhas para Lisieux.

Ela foi uma criança chorona e cheia de medos, e sabia disso. Conta que numa noite de Natal, aos 13 anos, ouviu sem querer o pai reclamar de que ela ainda punha os sapatinhos como bebê. Em vez de chorar, desceu a escada sorrindo e abriu os presentes. Chamou aquilo de "a graça do Natal": o dia em que deixou de ser refém de si mesma.

O que ela fez

Quis entrar no Carmelo aos 15 anos. Disseram que era muito nova. Numa peregrinação a Roma, na audiência do papa, quebrou a regra do silêncio e pediu em voz alta a Leão XIII que a deixasse entrar. Foi retirada da sala por dois guardas. Meses depois, o bispo autorizou: entrou no Carmelo de Lisieux em abril de 1888.

Lá dentro, a vida foi pequena: costurar, varrer, rezar, aguentar uma irmã de gênio difícil.

A pequena via

Teresinha queria ser santa e percebeu que não conseguiria pelos caminhos dos livros: não teria as penitências dos grandes ascetas, nem as viagens dos missionários, nem os êxtases dos místicos. Em vez de desanimar, concluiu outra coisa — se Deus pede a santidade, então deve haver um caminho para os pequenos.

Foi procurar esse caminho na Escritura e achou dois versículos: "Se alguém é pequenino, venha a mim" (Pr 9,4) e "Como uma mãe acaricia o filho, assim eu vos consolarei; serei como criança levada ao colo" (Is 66,12-13). E escreveu a imagem que ficou famosa:

"Estamos num século de invenções; agora não é mais preciso subir os degraus de uma escada: nas casas dos ricos, um elevador os substitui. Eu também gostaria de encontrar um elevador para me erguer até Jesus, porque sou pequena demais para subir a dura escada da perfeição. O elevador que me há de erguer até o céu são os vossos braços, ó Jesus."

A pequena via cabe em quatro coisas simples:

  • Aceitar ser pequeno. Não fingir força que não se tem, nem se assustar com os próprios defeitos. Teresinha dizia que não se importava de cair, contanto que se levantasse depressa.
  • Confiar mais do que merecer. Ela não contava com as próprias virtudes: contava com a misericórdia. "O que agrada a Deus é ver-me amar a minha pequenez e a minha pobreza; é a esperança cega que tenho na sua misericórdia."
  • Fazer as coisas pequenas com amor grande. Varrer, sorrir para quem irrita, ceder o lugar, calar a resposta pronta. "Recolher um alfinete por amor pode converter uma alma."
  • Deixar-se carregar. Não é preguiça: é entregar a Deus o que a gente não consegue. Ela chamava isso de ser "o brinquedinho de Jesus" — uma bolinha que ele pode usar como quiser.

No fim, resumiu tudo numa frase que escreveu quando descobriu, lendo São Paulo, qual era a sua vocação: "No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor."

Em 1895 ela se ofereceu ao Amor Misericordioso — não à justiça de Deus, como era costume entre as almas fervorosas do seu tempo, mas à misericórdia, para receber o amor que as pessoas recusam. Foi a sua maneira de dizer que Deus é mais Pai do que juiz.

É por isso que esse caminho pequeno serve a qualquer um: a mãe cansada, o trabalhador de turno dobrado, o doente na cama, quem não consegue rezar uma hora seguida. Não se pede grandeza — pede-se confiança.

Por ordem da superiora, escreveu suas lembranças em cadernos escolares. Depois da morte dela, os cadernos viraram "História de uma alma", publicado em 1898. O livro correu o mundo.

A noite

No último ano e meio, tuberculosa, Teresinha atravessou o que chamou de noite da fé: a sensação de que o céu estava vazio e de que tudo podia não passar de um sonho. Não contou isso a quase ninguém, continuou sorrindo, e continuou rezando — sobretudo pelos que não creem.

Morreu em 30 de setembro de 1897, aos 24 anos. As últimas palavras foram: "Meu Deus, eu vos amo."

O que fica

Nunca saiu do convento, nunca foi missionária, nunca pregou. Em 1927 foi declarada padroeira das missões, ao lado de São Francisco Xavier, que percorreu a Ásia inteira. Em 1997, João Paulo II a proclamou Doutora da Igreja — a mais jovem da lista.

Ela havia prometido: "Quero passar o meu céu fazendo o bem sobre a terra." É daí que vem o costume de pedir uma rosa como sinal, e a Novena das Rosas, que muita gente reza até hoje.


Dados biográficos reunidos do verbete da Wikipédia sobre Santa Teresa de Lisieux e das fontes ali citadas, entre elas os escritos da própria santa.

Padroeiro(a) de: Padroeira das missões e Doutora da Igreja · Festa em 1º de outubro

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