Philippe de Champaigne. Domínio público, via Wikimedia Commons.
SantoSanto Agostinho
Aurélio Agostinho nasceu em 354, em Tagaste, na província romana da Numídia, no norte da África. A mãe, Mônica, era cristã devota; o pai, Patrício, pagão que só se converteu no leito de morte. Ele próprio se considerava púnico.
Aos onze anos foi estudar em Madauro, e ali conheceu a literatura latina e as crenças pagãs. Por volta dos dezenove leu um diálogo hoje perdido de Cícero, o Hortênsio, e creditava a esse livro o despertar do seu interesse pela filosofia.
"Mas não ainda"
Aos dezessete foi para Cartago estudar retórica, e ali aderiu ao maniqueísmo, para desespero da mãe. Adotou o modo de vida dos rapazes da sua classe — e os Confissões contam que os mais velhos estimulavam os mais novos a inventar aventuras para serem aceitos.
É desse período a oração dele que ficou famosa justamente por ser verdadeira demais: "Senhor, concedei-me castidade e continência, mas não ainda."
Viveu treze anos com uma jovem cartaginesa, com quem teve um filho, Adeodato, rapaz que os contemporâneos consideravam extremamente inteligente.
Milão
Ensinou gramática e retórica, fundou uma escola em Roma, e em 384 conseguiu a cátedra de retórica da corte imperial em Milão. Aos trinta anos tinha a posição acadêmica mais visível do mundo latino, numa época em que esses postos abriam carreiras políticas.
Por dentro, porém, já se desfazia: afastou-se do maniqueísmo, passou pelo ceticismo e aproximou-se do neoplatonismo de Plotino. Quem mais o marcou foi o bispo de Milão, Santo Ambrósio — também mestre de retórica, mas mais velho e mais experiente.
Foi em Milão que, para um casamento arranjado pela mãe, abandonou a companheira de treze anos. Ele mesmo admitiu depois que amava aquela mulher, que considerava a união equivalente a um matrimônio, e que a separação foi embotando aos poucos a sua sensibilidade à dor. Rompeu o noivado tempos depois.
Tolle, lege
No verão de 386, depois de ouvir a história de vida de Santo Antão do Deserto, ouviu num jardim a voz de uma criança repetindo "tolle, lege" — toma e lê. Entendeu como ordem para abrir a Bíblia e ler o primeiro trecho que encontrasse. Caiu na Carta aos Romanos, no capítulo 13.
Ambrósio batizou Agostinho e o filho Adeodato na Vigília Pascal de 387. No caminho de volta à África, em Óstia, Mônica morreu, dizendo que já não tinha o que fazer neste mundo.
Hipona
Tornou-se bispo de Hipona e é, para o Ocidente, o mais importante dos Padres da Igreja. As Confissões são o relato da própria vida feito como oração: ele não conta a Deus o que Deus não saiba, conta para enxergar. A Cidade de Deus foi escrita quando o Império Romano do Ocidente começava a ruir.
O que fica
Morreu em Hipona, em 28 de agosto de 430, com os vândalos cercando a cidade.
São Jerônimo, contemporâneo dele, disse que Agostinho "restabeleceu a antiga fé". Mas o que faz dele um santo de cabeceira não é a estatura intelectual: é ter escrito, sem disfarce nem autoelogio, que demorou a amar — e que mesmo assim foi esperado.
Escrita a partir do verbete da Wikipédia em português sobre Agostinho de Hipona.
Padroeiro(a) de: Doutor da Igreja; padroeiro dos teólogos · Festa em 28 de agosto
Oração a Santo Agostinho
Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo. Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!
Trecho das Confissões de Santo Agostinho, livro X, 27-29.