"A visão de Santo Antônio de Pádua", de Bartolomé Esteban Murillo, século XVII. Domínio público, via Wikimedia Commons.
SantoSanto Antônio de Pádua
Ele não nasceu em Pádua nem se chamava Antônio. Nasceu em Lisboa, por volta de 1195, com o nome de Fernando de Bulhões, filho de família abastada. Entrou cedo para os cônegos agostinianos e foi estudar em Coimbra, onde se tornou um conhecedor sério da Bíblia.
Em 1220 chegaram a Coimbra os corpos de cinco frades franciscanos mortos no Marrocos. Fernando ficou marcado por aquilo. Pediu para deixar os agostinianos, entrou na ordem nova e pobre de Francisco de Assis e trocou o nome para Antônio. Queria ir para a África e morrer lá.
Foi, adoeceu gravemente e teve de voltar. O navio de regresso pegou um temporal e foi parar na Sicília. Era o começo de outra vida.
O que ele fez
Ninguém sabia quem ele era. Vivia numa ermida em Forlì, cuidando da cozinha, até o dia em que, numa ordenação, faltou quem pregasse. Mandaram o frade desconhecido dizer "alguma coisa". Antônio falou — e a sala inteira entendeu que ali havia um pregador como não se via.
Daí em diante, percorreu o norte da Itália e o sul da França pregando em praças, porque igreja nenhuma comportava a multidão. Enfrentou com argumento e paciência os grupos que negavam a fé da Igreja, e ficou conhecido como o "martelo dos hereges" — mas quem o ouvia dizia que o mais forte nele não era a dureza, e sim a clareza.
É dessa época a história popular de Rimini: cansado de não ser ouvido pelas pessoas, teria ido à beira do mar pregar aos peixes, que vieram à tona escutá-lo. Conte-se como lenda ou não, o sentido é o mesmo — e a cidade se converteu.
Francisco de Assis, desconfiado de estudos que enchem de orgulho, escreveu-lhe autorizando a ensinar teologia aos frades e chamando-o de "meu bispo". Antônio foi o primeiro mestre de teologia da ordem.
Morreu perto de Pádua, em 13 de junho de 1231, com 35 anos, esgotado de pregar. A cidade inteira saiu às ruas. Foi canonizado em menos de um ano — uma das canonizações mais rápidas da história da Igreja. Em 1946 foi declarado Doutor da Igreja.
O que fica
No Brasil, Antônio é o santo de todo mundo: o que acha o que se perdeu, o que arranja casamento, o que se põe de cabeça para baixo quando demora a atender. Por trás do santo popular está um homem que largou uma vida confortável duas vezes, que quis morrer mártir e recebeu outra missão, e que passou os últimos dez anos falando de Deus para quem estivesse na praça.
A trezena de Santo Antônio — os treze dias antes da festa — é rezada até hoje em cidades inteiras do Nordeste.
Dados biográficos reunidos do verbete da Wikipédia sobre Santo Antônio de Pádua e das fontes ali citadas.
Padroeiro(a) de: Invocado pelas coisas perdidas e pelos casamentos · Festa em 13 de junho