São Camilo de Lelis

Retrato de São Camilo de Lelis, autor não identificado. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Santo

São Camilo de Lelis

Camilo nasceu em Bucchianico, na Itália, em 1550. A mãe tinha quase sessenta anos quando ele nasceu e morreu cedo. Ele cresceu grande — quase dois metros —, briguento e viciado em jogo.

Foi soldado mercenário nas guerras contra os turcos, ao lado do pai. Numa perna, ganhou uma ferida que nunca cicatrizou e o acompanharia a vida inteira. Foi internado no hospital São Tiago, em Roma, e acabou trabalhando lá como servente — até ser mandado embora por causa das brigas e do jogo.

Em 1574, em Nápoles, perdeu no jogo tudo o que tinha, inclusive a camisa que vestia. Foi trabalhar como ajudante de pedreiro num convento de capuchinhos. Foi ali, ouvindo um frade, que virou a chave: tinha 25 anos.

O que ele fez

Tentou ser capuchinho duas vezes; a ferida na perna o impediu. Voltou ao hospital São Tiago — agora como enfermeiro — e logo o dirigia.

E viu o que ninguém queria ver: os doentes eram tratados por gente contratada a peso, muitos deles ex-presos, que roubavam os moribundos e os deixavam morrer sozinhos e sujos. Camilo decidiu que precisava de outra coisa: homens que cuidassem dos doentes por amor, e não por salário.

Em 1584 fundou a ordem dos Ministros dos Enfermos — os camilianos. Puseram no hábito uma cruz vermelha no peito, três séculos antes de a Cruz Vermelha existir.

As regras que ele criou soam óbvias hoje, e eram revolucionárias então: isolar os contagiosos, lavar a roupa de cama, arejar os quartos, não enterrar ninguém antes de ter certeza da morte, e estar presente na hora da morte — ninguém morrendo sozinho. Ele mesmo, com a perna aberta, carregava doentes no colo.

Ordenou-se padre já adulto. Levou os seus para o meio das epidemias de peste e para os campos de batalha — os camilianos foram os primeiros a atender feridos em combate, o que faz de Camilo um antepassado das ambulâncias e da enfermagem de guerra.

Morreu em 14 de julho de 1614, em Roma. Foi canonizado em 1746 e declarado padroeiro dos doentes e dos hospitais por Leão XIII, e dos enfermeiros por Pio XI.

O que fica

Nada na vida de Camilo, até os 25 anos, prometia alguma coisa: jogo, brigas, uma perna estragada, um emprego perdido. O que ele fez com a segunda metade da vida mudou o modo como o mundo trata quem está numa cama de hospital.


Dados reunidos do verbete da Wikipédia sobre Camilo de Lellis e das fontes ali citadas.

Padroeiro(a) de: Padroeiro dos doentes, dos hospitais e dos enfermeiros · Festa em 14 de julho

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