São Francisco de Assis

O retrato mais antigo de São Francisco, pintado por volta de 1228 na gruta de Subiaco, na Itália. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Santo

São Francisco de Assis

Francisco nasceu em Assis, na Itália, por volta de 1181, filho de Pietro di Bernardone, um comerciante de tecidos rico. Teve dinheiro, amigos e festas: era o rapaz que pagava a conta de todos. Sonhava em ser cavaleiro.

A guerra entre Assis e Perugia mudou isso. Francisco foi preso e passou quase um ano num cárcere, saindo de lá doente. Tentou outra vez a vida militar e voltou no meio do caminho, dizendo que tinha ouvido uma voz. Em casa, ninguém entendeu.

O crucifixo de São Damião

Rezando na igrejinha em ruínas de São Damião, ouviu do crucifixo: "Vai, Francisco, repara a minha casa, que está caindo." Ele entendeu ao pé da letra: vendeu tecidos do pai para comprar pedras. O pai o levou ao tribunal do bispo para reaver o dinheiro.

Diante da cidade inteira, Francisco devolveu a bolsa, tirou a roupa que vestia e a entregou também. "Até agora chamei você de pai", disse. "De hoje em diante, digo apenas: Pai nosso, que estais no céu." O bispo o cobriu com o próprio manto.

O que ele fez

Francisco foi viver entre os leprosos, de quem antes desviava com nojo — e contou depois que aquilo, que lhe parecia amargo, se transformou em doçura. Reconstruiu com as próprias mãos três capelas, entre elas a Porciúncula, que se tornaria o coração da sua ordem.

Não quis fundar nada: quis viver o Evangelho sem glosa, literalmente. Mas gente foi chegando. Em 1209 ele levou a Roma uma regra de poucas linhas, quase só citações do Evangelho, e o papa Inocêncio III a aprovou. Em 1212, Clara, moça de família nobre de Assis, fugiu de casa para seguir o mesmo caminho: nasciam as clarissas.

Em 1219, em plena Cruzada, Francisco atravessou as linhas de batalha em Damietta e foi conversar com o sultão al-Malik al-Kamil. Não converteu o sultão nem foi morto: os dois se trataram com respeito, e ele voltou vivo — coisa que ninguém esperava.

Em 1223, em Greccio, montou um presépio vivo com palha, um boi e um jumento, para que as pessoas simples enxergassem o que era Belém. É a origem do presépio que armamos hoje.

No ano seguinte, rezando no monte Alverne, recebeu em seu corpo as chagas de Cristo — mãos, pés e lado — e as escondeu até a morte. Já quase cego, ditou o Cântico das Criaturas, em que chama o sol de irmão e a morte de irmã: o primeiro grande poema escrito em italiano.

Morreu na Porciúncula na noite de 3 de outubro de 1226, deitado na terra nua, como pediu. Tinha 44 anos. Foi canonizado menos de dois anos depois.

O que fica

Francisco não escreveu teologia difícil nem fundou um império. Fez uma coisa só, até o fim: acreditou que o Evangelho era para ser vivido como está escrito. Em 1979 foi declarado padroeiro dos que cuidam da natureza — e é dele o nome que o papa Francisco escolheu, em 2013, para lembrar dos pobres.


Dados biográficos reunidos do verbete da Wikipédia sobre São Francisco de Assis e das fontes ali citadas, entre elas as primeiras biografias, escritas por Tomás de Celano e por São Boaventura.

Padroeiro(a) de: Padroeiro da Itália, dos animais e da ecologia · Festa em 4 de outubro

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