Retrato de São João Maria Vianney, por George Desvallières. Domínio público, via Wikimedia Commons.
SantoSão João Maria Vianney
Jean-Marie Vianney nasceu perto de Lyon, na França, em 1786, três anos antes da Revolução. Cresceu num tempo em que a Missa era crime: a família ia a celebrações escondidas, em celeiros, com padres foragidos. Fez a primeira comunhão às escondidas, aos treze anos, com as janelas tapadas.
Trabalhou na roça até os vinte. Quando disse que queria ser padre, o problema apareceu logo: não conseguia aprender latim. Foi reprovado, ficou para trás, chegou a ser dispensado do seminário. Um padre chamado Balley insistiu por ele, e o bispo acabou o ordenando — segundo se conta, mais pela bondade do rapaz do que pelas notas.
Mandaram-no para Ars, um povoado de 230 habitantes onde quase ninguém ia à igreja. O bispo teria dito: "Não há muito amor de Deus nessa paróquia; você vai pôr um pouco."
O que ele fez
Começou visitando casa por casa. Pregava curto e direto, em linguagem de gente da roça. Dormia pouco, comia quase nada — batatas cozidas que deixava passar do ponto para durarem a semana. Tirou dinheiro do próprio bolso para fundar La Providence, um abrigo para meninas órfãs.
E se sentava no confessionário.
Primeiro os vizinhos; depois a região; depois a França inteira. Nos últimos anos de vida, Ars recebia mais de vinte mil peregrinos por ano — havia fila de dias, e a companhia de trens criou bilhete especial para lá. Ele passava de doze a dezesseis horas por dia ouvindo confissões, no frio do inverno e no calor do verão.
Diziam que adivinhava o que a pessoa não conseguia dizer, e que chorava com quem se confessava. Perguntado por que chorava, respondeu: "Choro porque vocês não choram."
Tentou fugir de Ars quatro vezes para viver escondido num mosteiro. Sempre voltou.
Morreu em 4 de agosto de 1859, aos 73 anos, esgotado. Foi canonizado em 1925 e declarado padroeiro de todos os párocos do mundo.
O que fica
Vianney era o pior aluno do seminário e foi parar na menor paróquia da diocese. Não escreveu livros, não fundou ordem, não viajou. Ficou sentado num lugar só, ouvindo gente, até o corpo não aguentar mais.
É por isso que todo padre de paróquia tem nele o seu padroeiro: a santidade dele não está em nada extraordinário, e sim em fazer o trabalho comum de um pároco de um jeito nada comum.
Dados reunidos do verbete da Wikipédia sobre João Maria Vianney e das fontes ali citadas.
Padroeiro(a) de: Padroeiro dos padres de paróquia · Festa em 4 de agosto