São João Paulo II em 1984. Licença Attribution, via Wikimedia Commons.
SantoSão João Paulo II
Ele é o papa que boa parte do mundo viu envelhecer na televisão. Poucos lembram que chegou a Roma tendo enterrado a família inteira antes dos vinte e um anos.
Wadowice
Karol Józef Wojtyła nasceu em Wadowice, na Polônia, em 18 de maio de 1920.
A mãe, Emília, morreu quando ele tinha nove anos. O irmão Edmund, médico, morreu de escarlatina apanhada de uma paciente, em 1932. O pai, militar reformado, morreu em 1941. Karol tinha vinte anos e ficou sozinho.
Era bom aluno, ator de teatro amador e goleiro. Em 1938 entrou para a Universidade Jaguelônica, em Cracóvia, para estudar Letras.
A pedreira
Em setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polônia. A universidade foi fechada, os professores foram presos, e todo polonês em idade útil tinha de trabalhar ou era deportado.
Karol foi quebrar pedra numa pedreira em Zakrzówek e depois trabalhar na fábrica de produtos químicos Solvay. Era trabalho pesado, no frio, em turnos que começavam de madrugada.
Foi nesse tempo, com as mãos calejadas, que leu São Luís Maria de Montfort. O Tratado da Verdadeira Devoção lhe deu duas palavras que ele carregaria pela vida inteira: Totus Tuus — todo teu.
Um seminário clandestino
Em 1942 entrou para o seminário clandestino de Cracóvia, mantido pelo arcebispo Adam Stefan Sapieha dentro do próprio palácio episcopal. Estudar para padre era crime; ser descoberto significava campo de concentração.
Foi ordenado em 1º de novembro de 1946.
Doutorou-se em Roma, voltou a ser pároco do interior, deu aulas de ética, escreveu teatro e poesia. Em 1958 foi feito bispo aos 38 anos; em 1964, arcebispo de Cracóvia; em 1967, cardeal. Sob o regime comunista, brigou anos para conseguir construir uma igreja em Nowa Huta — a cidade operária que o Partido tinha projetado sem nenhuma.
16 de outubro de 1978
Foi eleito papa no segundo conclave daquele ano, depois dos trinta e três dias de João Paulo I. Era o primeiro papa não italiano em 455 anos, e vinha de trás da Cortina de Ferro.
Na homilia de início do pontificado, em 22 de outubro — o dia em que hoje se celebra a sua festa —, disse a frase que resume tudo o que veio depois:
"Não tenhais medo! Abri, escancarai as portas a Cristo!"
O que fez
Viajou. Fez 104 viagens fora da Itália e visitou 129 países — mais que todos os papas anteriores somados. Beijava o chão ao chegar.
Criou a Jornada Mundial da Juventude, em 1985, quando muita gente na Cúria achava que juventude não ia a nada.
Voltou à Polônia em 1979 e disse, diante de um milhão de pessoas, que o Espírito renovasse a face "desta terra". Dez anos depois o comunismo tinha caído ali, sem um tiro. Ele sempre recusou o crédito.
No Jubileu de 2000, fez o que nenhum papa tinha feito: pediu perdão, em nome da Igreja, pelos pecados cometidos por cristãos ao longo da história — a Inquisição, as divisões, o antissemitismo, as violências contra os povos.
Em 2002 acrescentou ao Rosário os Mistérios Luminosos, os primeiros mistérios novos em quatrocentos anos.
O tiro, e o perdão
Em 13 de maio de 1981 — aniversário da primeira aparição de Fátima — foi baleado na Praça de São Pedro por Mehmet Ali Ağca. Duas balas, perda de três quartos do sangue, cinco horas de cirurgia.
Atribuiu a sobrevivência a Nossa Senhora: "Uma mão disparou, e outra guiou a bala." A bala está hoje engastada na coroa da imagem de Fátima.
Em 1983 foi visitá-lo na prisão. Sentaram-se num canto da cela e conversaram baixo, sozinhos. Nunca contou o que disseram.
A última lição
Os últimos anos foram de Parkinson. A mão tremia, a voz sumia, o rosto endurecia. Ele não se escondeu: continuou aparecendo, cada vez mais curvado, até não conseguir mais falar.
Na Páscoa de 2005 apareceu à janela, tentou abençoar e não saiu voz. Baixou a mão e chorou.
Morreu em 2 de abril de 2005. Na praça, os jovens rezavam. As últimas palavras que se ouviram dele foram para eles: "Eu vos procurei, e vós viestes a mim."
Santo
Foi beatificado por Bento XVI em 1º de maio de 2011 e canonizado pelo Papa Francisco em 27 de abril de 2014, junto com São João XXIII.
A festa é em 22 de outubro, o dia em que começou o pontificado — e não o da morte, como é o costume. Foi escolha dele, de certo modo: é a data em que disse para não termos medo.
Padroeiro(a) de: Padroeiro das famílias e da Jornada Mundial da Juventude; invocado pelos jovens e pelos que sofrem
Oração a São João Paulo II
Ó Trindade Santa,
nós vos agradecemos por terdes dado à Igreja
o Papa São João Paulo II
e por terdes feito resplandecer nele
a ternura da vossa Paternidade,
a glória da cruz de Cristo
e o esplendor do Espírito de amor.
Confiando totalmente na vossa infinita misericórdia
e na materna intercessão de Maria,
ele foi para nós uma imagem viva de Jesus Bom Pastor,
indicando-nos a santidade
como a mais alta medida da vida cristã ordinária,
caminho para alcançar a comunhão eterna convosco.
Segundo a vossa vontade, concedei-nos,
por sua intercessão, a graça que imploramos.
(Peça-se aqui a graça desejada.)
Amém.
Oração oficial da Diocese de Roma para pedir graças por sua intercessão, escrita para a beatificação. Onde dizia "Beato", diz-se hoje "São".