São Jorge

"São Jorge e o Dragão", de Paolo Uccello, por volta de 1470. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Santo

São Jorge

Do Jorge histórico sabe-se pouco, e é honesto dizer isso de saída. O que as fontes mais antigas afirmam é o essencial: era soldado romano, oficial do exército, e foi morto por volta do ano 303 em Lida, na Palestina, por não renegar a fé cristã.

Era o tempo da perseguição de Diocleciano, a mais dura que a Igreja enfrentou. O imperador exigiu que todo militar oferecesse sacrifício aos deuses do império. Quem recusasse perdia o posto, os bens e, muitas vezes, a cabeça. Jorge recusou — e, segundo a tradição, recusou em público, diante dos próprios companheiros de farda.

Foi torturado e decapitado em 23 de abril. A devoção a ele é antiga e bem documentada: já no século IV havia uma igreja dedicada ao seu túmulo, e peregrinos de todo o Oriente iam até lá.

De onde vem o dragão

A história do cavaleiro que mata o dragão e salva a princesa não é do tempo dele: aparece na Idade Média, mil anos depois, e ficou famosa pela Legenda Áurea, coletânea escrita no século XIII.

Isso não a torna mentira: ela é uma imagem. O dragão é o mal — o medo, a mentira, o império que exige que se negue a fé. A princesa é o povo cristão. O cavaleiro é o mártir que enfrenta a fera com a lança da fé. Foi assim que a Idade Média contou, em desenho, aquilo que os primeiros cristãos tinham contado em sangue.

O que ele fez

Jorge não deixou escritos, não fundou ordem, não converteu multidões. Fez uma coisa só, e só uma vez: disse não quando dizer sim era mais fácil e mais seguro. Era militar de carreira num império que o promoveria, e escolheu morrer como cristão em vez de viver como oficial.

É por isso que os soldados o tomaram como padroeiro, e depois deles os cavaleiros, e depois a Inglaterra, Portugal, a Geórgia, a Catalunha, cidades inteiras.

No Brasil

Poucos santos são tão queridos aqui. No Rio de Janeiro, 23 de abril é feriado estadual e as ruas se enchem. É o santo guerreiro, invocado por quem está em luta — no trabalho, na doença, na cidade difícil.

A Igreja mantém a sua memória no calendário, no dia 23 de abril, reconhecendo o mártir e deixando a lenda no lugar dela: como imagem, não como crônica.


Dados biográficos reunidos do verbete da Wikipédia sobre São Jorge e das fontes ali citadas, entre elas o Martirológio Romano.

Padroeiro(a) de: Padroeiro dos soldados, da Inglaterra e de Portugal · Festa em 23 de abril

← Voltar aos santos