Akita, Japão · de 1973 a 1981

Nossa Senhora de Akita

Uma religiosa surda ouviu uma estátua de madeira falar. Depois, durante seis anos, aquela estátua chorou — cento e uma vezes, diante de testemunhas.

Nossa Senhora de Akita
A imagem de madeira de Nossa Senhora de Akita — a que derramou lágrimas cento e uma vezes. Foto de SICDAMNOME. CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Onde
Akita, Yuzawadai, Japão
Quando
de 1973 a 1981
A quem
Irmã Agnes Katsuko Sasagawa, religiosa surda, das Servas da Eucaristia
Santuário hoje
Convento das Servas da Eucaristia, em Yuzawadai, nos arredores de Akita.

O Japão tem menos de meio por cento de católicos. Em 1973, num convento pequeno perdido nas colinas de Yuzawadai, perto de Akita, no norte do país, vivia a irmã Agnes Katsuko Sasagawa.

A vida dela até ali tinha sido de hospital: uma operação mal conduzida a deixara paralisada por dezesseis anos, e em março de 1973 ela perdeu completamente a audição.

A mão e a voz

Em 12 de junho de 1973, apareceu-lhe na mão esquerda uma ferida em forma de cruz, que sangrava e doía muito.

Em 6 de julho, ela ouviu — ela, que era surda — uma voz vinda da estátua de madeira de Nossa Senhora na capela do convento. A estátua, esculpida por um artesão japonês, tem a Virgem de pé sobre o globo, com as mãos abertas.

A voz falou três vezes, em 1973. A terceira mensagem, de 13 de outubro — data escolhida com cuidado; era o aniversário do último dia de Fátima —, é a mais longa e a mais dura. Fala de um castigo que virá sobre a humanidade se os homens não se arrependerem, da necessidade da oração e da penitência, e de uma provação que atingiria a própria Igreja, com "cardeais opondo-se a cardeais, bispos contra bispos". E dizia:

"A única arma que vos resta é o Rosário e o Sinal deixado por meu Filho."

A estátua que chorou

Em 4 de janeiro de 1975, a estátua começou a derramar lágrimas.

Chorou cento e uma vezes, em episódios que se repetiram até 15 de setembro de 1981 — festa de Nossa Senhora das Dores. Não foi em segredo: as lágrimas foram vistas por centenas de pessoas, incluindo o bispo, filmadas pela televisão japonesa e recolhidas para análise.

Uma amostra foi enviada à Universidade de Akita e outra à Faculdade de Medicina Legal de Gifu, sem que os laboratórios soubessem a origem do material. O resultado: líquido humano. Também se colheram o suor e o sangue da estátua, e os três exames deram três tipos sanguíneos diferentes.

A irmã Agnes, entretanto, recuperou a audição — duas vezes, temporariamente em 1974 e de forma definitiva em 1982, num exame que os médicos registraram sem explicação.

O que a Igreja disse, e o que não disse

Dom João Shojiro Ito, bispo de Niigata, estudou o caso por mais de dez anos, com duas comissões, e em abril de 1984 publicou a carta pastoral em que reconheceu os acontecimentos e autorizou a veneração de Nossa Senhora de Akita na sua diocese.

É importante ser exato sobre o alcance disso: o reconhecimento é diocesano. A Santa Sé nunca publicou um decreto próprio sobre Akita. O que se lê com frequência — que o então cardeal Ratzinger teria dado um juízo definitivo favorável em 1988 — vem de relatos de terceiros, não de um documento público, e por honestidade fica aqui como relato, não como decreto.

Akita, de todo modo, é o único caso mariano reconhecido no Japão, e a mensagem que dali saiu é a mesma de Fátima, cinquenta e seis anos depois, na outra ponta do mundo: o Rosário e a conversão.

O que a Igreja disse

Nihil obstat

Reconhecem-se sinais de uma ação do Espírito, sem elementos críticos relevantes. Nada impede a devoção, e o bispo pode promovê-la.

Dom João Shojiro Ito, bispo de Niigata, que reconheceu os fatos e autorizou o culto na diocese · abril de 1984

Como foi dito na época: O bispo reconheceu, em 1984, o caráter sobrenatural dos acontecimentos. A Santa Sé nunca publicou decreto próprio sobre o caso: o que se repete sobre uma aprovação romana em 1988 vem de relatos, não de um documento.

Fontes

O texto desta página foi escrito pelo Lumen Ecclesiae a partir dos fatos documentados nas fontes acima.