Kibeho, Ruanda · de 1981 a 1983
Nossa Senhora das Dores de Kibeho
Treze anos antes do genocídio, meninas de um colégio ruandês viram rios de sangue, corpos sem cabeça e uma mãe que chorava. Ninguém entendeu na hora.
- Onde
- Kibeho, Nyaruguru, Ruanda
- Quando
- de 1981 a 1983
- A quem
- Alphonsine Mumureke, 16 anos, Nathalie Mukamazimpaka, 17, e Marie-Claire Mukangango, 21 — alunas de um colégio de meninas
- Santuário hoje
- Santuário de Nossa Senhora das Dores de Kibeho, o único santuário mariano reconhecido da África.
Kibeho é um povoado no sul de Ruanda. Em 1981 havia lá um colégio interno de meninas dirigido por religiosas, o Kibeho College.
Em 28 de novembro de 1981, Alphonsine Mumureke, de dezesseis anos, servia o almoço no refeitório quando ouviu uma voz chamá-la. Viu uma mulher descalça, de véu branco, pele sem cor definida, que lhe disse:
"Eu sou a Mãe do Verbo." — Nyina wa Jambo.
Perguntada sobre o que queria, respondeu: que se rezasse, e que houvesse fé.
As três
As colegas não acreditaram. Zombaram, bateram nela, disseram que era invenção ou doença. Alphonsine pediu então que a Senhora se mostrasse a outra, para que a deixassem em paz.
Em 12 de janeiro de 1982, Nathalie Mukamazimpaka, de dezessete anos, começou a ver. E em 2 de março de 1982, Marie-Claire Mukangango, de vinte e um — que tinha sido a mais dura das perseguidoras de Alphonsine.
A Marie-Claire foi confiada a devoção do Rosário das Sete Dores de Nossa Senhora, uma oração antiga, quase esquecida, que a partir de Kibeho voltou a ser rezada no mundo.
A mensagem central era penitência, conversão, jejum e oração pelo mundo. E um pedido insistente: arrependimento, antes que fosse tarde.
A visão de 15 de agosto de 1982
Nessa data, diante de uma multidão, as videntes entraram em êxtase ao mesmo tempo e começaram a chorar e a gritar de horror por horas.
Descreveram o que viam: um rio de sangue, pessoas que se matavam umas às outras, corpos abandonados sem que ninguém os enterrasse, cadáveres decapitados, uma árvore em chamas, um abismo aberto. Nathalie disse depois que viu "um mar de sangue".
Ninguém entendeu o que aquilo significava. Ruanda estava em paz.
Doze anos depois, em 1994, o genocídio matou entre oitocentas mil e um milhão de pessoas em cem dias. Em Kibeho, milhares de tutsis que se refugiaram na igreja paroquial foram massacrados dentro dela. Marie-Claire Mukangango, a terceira vidente, foi morta com o marido.
O reconhecimento
Dom Augustin Misago, bispo de Gikongoro, conduziu a investigação com duas comissões — uma médica e outra teológica — durante quase vinte anos.
Em 29 de junho de 2001, numa Missa na catedral concelebrada com todos os bispos do país e o núncio apostólico, declarou o reconhecimento. E foi preciso quanto ao alcance: as três videntes nomeadas, e o período até 1983. Nada além disso — nem os muitos outros que depois disseram ver em Kibeho, nem as aparições de Jesus relatadas no mesmo lugar.
Kibeho é hoje o único santuário mariano reconhecido da África, e é chamado ali de "a Lourdes africana". A igreja onde houve o massacre foi transformada em memorial do genocídio. O santuário está a poucos passos.
O que a Igreja disse
Nihil obstat
Reconhecem-se sinais de uma ação do Espírito, sem elementos críticos relevantes. Nada impede a devoção, e o bispo pode promovê-la.
Dom Augustin Misago, bispo de Gikongoro, em declaração solene na catedral, com todos os bispos de Ruanda e o núncio apostólico · 29 de junho de 2001
Como foi dito na época: O reconhecimento vale para as três videntes nomeadas e para o período até 1983. Não abrange os outros que disseram ver, nem as aparições posteriores, nem as aparições de Jesus relatadas no mesmo lugar.
Fontes
O texto desta página foi escrito pelo Lumen Ecclesiae a partir dos fatos documentados nas fontes acima.