Beauraing, Bélgica · de 29 de novembro de 1932 a 3 de janeiro de 1933

Nossa Senhora do Coração de Ouro

Trinta e três vezes, num jardim de convento, cinco crianças viram uma Senhora sobre um espinheiro. No fim, ela abriu o peito e mostrou um coração de ouro.

Nossa Senhora do Coração de Ouro
A imagem de Nossa Senhora de Beauraing, a Virgem do Coração de Ouro, na capela votiva. Foto de FredSeiller. CC0, via Wikimedia Commons.
Onde
Beauraing, Namur, Bélgica
Quando
de 29 de novembro de 1932 a 3 de janeiro de 1933
A quem
Cinco crianças de duas famílias vizinhas: Fernande, Gilberte e Albert Voisin, Andrée e Gilberte Degeimbre
Santuário hoje
Santuário de Nossa Senhora de Beauraing, junto ao espinheiro branco onde as crianças a viram.

Beauraing era uma aldeia das Ardenas belgas, e o inverno de 1932 estava rigoroso.

Na noite de 29 de novembro, cinco crianças de duas famílias vizinhas foram buscar Gilberte Voisin no internato das Irmãs da Doutrina Cristã. Enquanto esperavam no portão, Albert Voisin, de onze anos, apontou para o viaduto da ferrovia e disse que uma Senhora andava por ali, no ar.

Os outros olharam e viram também.

Trinta e três aparições

Voltaram todas as noites. As aparições se repetiram trinta e três vezes, até 3 de janeiro de 1933, quase sempre junto a um espinheiro branco no jardim do convento.

A Senhora era jovem, vestida de branco, com raios de luz em volta da cabeça. Falava pouco, e o que disse cabe em poucas linhas:

"Sejam sempre bons."

"Rezem, rezem muito."

"Eu sou a Virgem Imaculada."

"Amam o meu Filho? Amam-me? Então sacrifiquem-se por mim."

A cada aparição, as cinco crianças caíam de joelhos ao mesmo tempo, com um movimento tão brusco que se ouvia o impacto — e médicos que as examinaram durante o êxtase não encontraram reação a beliscões, a luz forte nem a chamas aproximadas das mãos.

O coração de ouro

Numa das últimas aparições, a Senhora abriu os braços, o peito se abriu, e as crianças viram um coração cercado de raios de ouro. Foi o sinal que deu nome ao santuário: Vierge au Cœur d'Or, a Virgem do Coração de Ouro.

Na última, em 3 de janeiro de 1933, ela disse a Fernande — a mais velha, de quinze anos, a única que não viu naquela noite e que ficou sozinha a rezar no jardim depois de todos irem embora:

"Amam o meu Filho? Amam-me? Então sacrifiquem-se por mim. Adeus."

O reconhecimento

A investigação foi longa e desconfiada; a Bélgica tinha visto, naqueles mesmos anos, uma dúzia de casos de aparições que se revelaram falsos. Dom Charue levou dezesseis anos e publicou o reconhecimento em 2 de julho de 1949. Sete semanas depois, o bispo de Liège reconheceria [Banneux](/aparicoes/banneux-1933), a poucos quilômetros dali.

As cinco crianças cresceram, casaram, tiveram filhos e viveram vida comum na aldeia. Nenhuma jamais recebeu dinheiro nem procurou notoriedade. A última, Gilberte Degeimbre, morreu em 2015.

O que a Igreja disse

Nihil obstat

Reconhecem-se sinais de uma ação do Espírito, sem elementos críticos relevantes. Nada impede a devoção, e o bispo pode promovê-la.

Dom André-Marie Charue, bispo de Namur, depois de dezesseis anos de estudo · 2 de julho de 1949

Como foi dito na época: O decreto de 1949 reconheceu o caráter sobrenatural das aparições — linguagem que as normas de 2024 já não empregam.

Fontes

O texto desta página foi escrito pelo Lumen Ecclesiae a partir dos fatos documentados nas fontes acima.