Fátima, Portugal · de maio a outubro de 1917

Nossa Senhora de Fátima

Três pastorinhos analfabetos, seis meses seguidos, e uma multidão de setenta mil pessoas que viu o sol girar no céu.

Nossa Senhora de Fátima
A imagem de Nossa Senhora de Fátima em procissão, fotografia de 1954. Foto de Alípio da Silva Vicente. Domínio público, via Wikimedia Commons.
Onde
Fátima, Cova da Iria, Leiria, Portugal
Quando
de maio a outubro de 1917
A quem
Lúcia de Jesus, 10 anos, e os primos São Francisco Marto, 9, e Santa Jacinta Marto, 7
Santuário hoje
Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na Cova da Iria.

A Europa estava no terceiro ano da Primeira Guerra. Portugal tinha entrado no conflito no ano anterior e vivia sob um governo que fechava seminários e expulsava religiosos.

Em 13 de maio de 1917, três crianças pastoreavam ovelhas na Cova da Iria, perto da aldeia de Fátima: Lúcia de Jesus, de dez anos, e os primos Francisco, de nove, e Jacinta Marto, de sete.

Depois de um relâmpago em céu limpo, viram sobre uma pequena azinheira "uma Senhora mais brilhante que o sol". Ela pediu que voltassem no dia 13 de cada mês, durante seis meses.

Os seis meses

As crianças voltaram. A cada mês a multidão crescia, e com ela a hostilidade: em agosto, o administrador do concelho prendeu os três e os ameaçou com azeite a ferver para que confessassem a fraude. Não confessaram — e perderam a aparição do dia 13, que aconteceu depois, no dia 19, nos Valinhos.

A Senhora pediu três coisas simples e as repetiu todos os meses: rezar o terço todos os dias, fazer penitência pelos pecadores, e converter-se. Em julho, à pergunta de Lúcia sobre quem era, respondeu apenas em outubro:

"Eu sou a Senhora do Rosário."

Em julho confiou às crianças o que ficou conhecido como os três segredos — a visão do inferno, o anúncio de uma guerra pior se os homens não se convertessem, e uma terceira parte que só foi publicada pela Santa Sé em 2000: a visão de um bispo vestido de branco atingido num monte, em meio a ruínas.

Nessa mesma aparição de julho veio o pedido da consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria.

13 de outubro

Lúcia tinha anunciado que no último dia haveria um sinal "para que todos creiam". Entre cinquenta e setenta mil pessoas foram à Cova da Iria debaixo de chuva forte — céticos, jornalistas, curiosos, devotos.

Por volta do meio-dia a chuva parou. Testemunhas descreveram o sol girando sobre si mesmo, mudando de cor, e parecendo despencar sobre a multidão; depois, as roupas encharcadas estavam secas. O jornal anticlerical O Século, de Lisboa, publicou o relato do seu diretor, Avelino de Almeida, que tinha ido ridicularizar e voltou sem conseguir explicar o que vira.

Depois

Francisco morreu em 1919 e Jacinta em 1920, ambos na gripe espanhola, como a Senhora lhes havia dito. Foram canonizados em 2017, no centenário, por Francisco — as crianças mais jovens da história da Igreja canonizadas sem serem mártires.

Lúcia entrou no Carmelo de Coimbra e morreu em 2005, aos 97 anos. O seu processo de canonização está em curso.

Em 13 de maio de 1981 — o aniversário da primeira aparição — São João Paulo II foi baleado na Praça de São Pedro. Atribuiu a sobrevivência a Nossa Senhora de Fátima, e a bala que o atingiu está hoje engastada na coroa da imagem da Cova da Iria.

O que a Igreja disse

Nihil obstat

Reconhecem-se sinais de uma ação do Espírito, sem elementos críticos relevantes. Nada impede a devoção, e o bispo pode promovê-la.

Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria, depois de sete anos de inquérito canônico · 13 de outubro de 1930

Como foi dito na época: A carta pastoral de 1930 declarou "dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria" e autorizou oficialmente o culto de Nossa Senhora de Fátima.

Fontes

O texto desta página foi escrito pelo Lumen Ecclesiae a partir dos fatos documentados nas fontes acima.