La Salette-Fallavaux, França · 19 de setembro de 1846

Nossa Senhora de La Salette

Dois pastores encontraram uma mulher sentada, chorando, no alto de uma montanha. Ela falou de colheitas perdidas e de um povo que esquecera de rezar.

Nossa Senhora de La Salette
A imagem de Nossa Senhora de La Salette, no alto da montanha onde as crianças a viram. Foto de Tylwyth Eldar. CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Onde
La Salette-Fallavaux, Isère, França
Quando
19 de setembro de 1846
A quem
Mélanie Calvat, 14 anos, e Maximin Giraud, 11 — dois pastores que mal se conheciam
Santuário hoje
Santuário de Nossa Senhora de La Salette, a 1.800 metros de altitude, nos Alpes franceses.

No dia 19 de setembro de 1846, um sábado, dois pastores que trabalhavam para famílias diferentes levaram as vacas à mesma encosta, nos Alpes. Mélanie Calvat, de catorze anos, e Maximin Giraud, de onze, tinham se conhecido na véspera.

Depois do almoço adormeceram. Ao acordar, as vacas tinham sumido — e, descendo o barranco atrás delas, viram uma luz.

A mulher que chorava

Dentro da luz havia uma mulher sentada, com o rosto entre as mãos, chorando. Levantou-se e disse:

"Aproximai-vos, meus filhos, não tenhais medo. Estou aqui para vos contar uma grande notícia."

Falou-lhes em francês — e, quando percebeu que as crianças, camponesas, entendiam mal, passou ao dialeto da região.

O que disse não foi consolo. Falou da colheita que apodrecia, das batatas que se perdiam, de um povo que trabalhava aos domingos e blasfemava o nome do Filho. E de um braço que ela não conseguia mais segurar:

"Se o meu povo não quiser submeter-se, sou forçada a deixar cair o braço do meu Filho. Ele é tão pesado que já não o posso sustentar."

Prometeu, se houvesse conversão, que as pedras virariam trigo.

A cada criança confiou um segredo — que nenhuma contou à outra. Ambos os segredos foram enviados a Pio IX em 1851.

Depois

A mulher subiu a encosta e desapareceu na luz. As crianças correram a contar; ninguém acreditou de imediato.

A investigação durou cinco anos. Em 19 de setembro de 1851, cinco anos exatos depois, Dom Philibert de Bruillard publicou o decreto de reconhecimento — um dos textos episcopais mais claros da história das aparições.

Nas décadas seguintes, La Salette virou um dos grandes lugares de peregrinação da França, e da aparição nasceu uma congregação, os Missionários de La Salette, presentes hoje no Brasil.

A imagem que se vê nos santuários é sempre a mesma: uma mulher sentada, chorando, com o rosto entre as mãos. É assim que a viram.

Uma nota de cuidado

Mélanie publicou, décadas depois, versões cada vez mais longas e apocalípticas do seu segredo, que a Santa Sé pôs no Índice em 1915. O reconhecimento de 1851 vale para a aparição — para o que aconteceu naquele sábado na montanha —, não para os escritos posteriores da vidente. É uma distinção que a Igreja faz com frequência, e que vale conhecer.

O que a Igreja disse

Nihil obstat

Reconhecem-se sinais de uma ação do Espírito, sem elementos críticos relevantes. Nada impede a devoção, e o bispo pode promovê-la.

Dom Philibert de Bruillard, bispo de Grenoble, depois de cinco anos de investigação · 19 de setembro de 1851

Como foi dito na época: O decreto de 1851 declarou que a aparição "traz em si todos os caracteres da verdade, e os fiéis têm fundamento para crê-la indubitável e certa".

Fontes

O texto desta página foi escrito pelo Lumen Ecclesiae a partir dos fatos documentados nas fontes acima.