Siena, Itália · 1730

As hóstias de Siena, intactas há quase três séculos

Ladrões levaram o cibório com 223 hóstias. Elas apareceram dias depois — e até hoje não se corromperam.

As hóstias de Siena, intactas há quase três séculos
Interior da basílica de São Francisco, em Siena. Foto de Sailko. CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
Onde
Siena, Toscana, Itália
Quando
1730
O que houve
Conservação
Onde está hoje
Basílica de São Francisco, em Siena (Itália).

Na noite de 14 de agosto de 1730, véspera da Assunção, ladrões entraram na basílica de São Francisco, em Siena, e levaram o cibório de prata do sacrário — com as hóstias consagradas dentro.

A cidade ficou em comoção: o roubo não era da prata, era do Santíssimo.

Três dias depois

Em 17 de agosto, um sacerdote notou algo branco na caixa de esmolas da igreja de Santa Maria de Provenzano. Ao abrir, encontraram as hóstias — sujas de teia de aranha e poeira, mas inteiras. Eram 348 (mais tarde consumidas algumas, restando 223).

Foram limpas uma a uma e levadas de volta à basílica de São Francisco. E aí começa o caso.

O que não aconteceu

Hóstia é pão ázimo: farinha e água. Normalmente, em poucos meses, embolora, racha, vira pó — e é por isso que se renovam as hóstias do sacrário regularmente.

As de Siena não se corromperam. Estão lá, guardadas, há quase três séculos.

Os exames

Em 1914, uma comissão dirigida pelo professor Siro Grimaldi, químico da Universidade de Siena, examinou as partículas. Conclusão: eram pão ázimo comum, sem qualquer conservante, e mantinham a estrutura íntegra — o amido intacto, sem sinal de fungos ou bactérias.

Como controle, hóstias consagradas na mesma época foram guardadas nas mesmas condições: em poucos anos estavam estragadas, como era de esperar.

Novas verificações foram feitas ao longo do século XX, sempre com o mesmo resultado.

Por que importa

É um caso incômodo para quem quer explicação fácil dos dois lados. Não há transformação espetacular: há pão que simplesmente não apodrece, sob os olhos de quem quiser examinar, há 295 anos.

O que a Igreja reconheceu

Exames oficiais em 1914 (professores Siro Grimaldi e Ludovico Settimi) e verificações posteriores, com autorização eclesiástica.

Fontes

O texto desta página foi escrito pelo Lumen Ecclesiae a partir dos fatos documentados nas fontes acima.