Itaúna, Brasil · 2004

O caso de Itaúna

Partículas postas na água, como manda o rito, não se dissolveram — e trinta dias depois a água tinha hemácias humanas.

O caso de Itaúna
Interior da Matriz de São José, no bairro Garcias, em Itaúna, onde o caso aconteceu. Arquivo da Diocese de Divinópolis, via Paróquia São José.
Onde
Itaúna, Minas Gerais, Brasil
Quando
2004
O que houve
Hóstia que sangrou
Onde está hoje
Paróquia São José, bairro Garcias, Itaúna (Minas Gerais).

Era 15 de março de 2004, e a Paróquia São José, no bairro Garcias, em Itaúna, estava em festa: corria a novena do padroeiro.

Antes da Missa, a sacristã encontrou duas âmbulas fora do sacrário, guardadas num armário da sacristia. Ninguém soube dizer se aquelas hóstias estavam consagradas ou não.

O que o padre fez — e por quê

O vigário, padre Sebastião de Faria Ramos, mandou pôr as partículas — cerca de duzentas e cinquenta, segundo os relatos — num recipiente com água.

Isso não é gesto de quem espera milagre: é o que a disciplina da Igreja manda fazer. Hóstia consagrada que não pode ser consumida se dissolve na água, e a água vai para a terra ou para o sacrário. É o caminho do respeito, e o esperado era que em poucas horas não sobrasse nada.

O que apareceu trinta dias depois

Passado cerca de um mês, as partículas não tinham se dissolvido, e a água estava avermelhada.

Os exames

Dom José Belvino do Nascimento, então bispo de Divinópolis, não se contentou com um laudo. Exigiu dois exames, em laboratórios independentes — um em Divinópolis, outro em Belo Horizonte.

Os dois relataram a mesma coisa: hemácias, glóbulos vermelhos, de característica humana.

O que a Igreja fez — e o que não fez

O bispo autorizou que o material fosse apresentado aos fiéis, num espaço preparado dentro da igreja, e falou dele como um sinal de Deus num mundo que se fecha ao invisível.

Mas é preciso dizer o resto com a mesma clareza: não há decreto. A Igreja nunca declarou formalmente este caso como milagre, e até hoje não se conhece documento diocesano que o faça. Permitir a veneração não é o mesmo que reconhecer canonicamente — e a distância entre as duas coisas é justamente onde mora a prudência da Igreja.

Quem conta o caso como "milagre comprovado pela ciência" está indo além do que existe. O que existe é isto: dois laudos, um bispo que mandou examinar, e um silêncio que nunca virou decreto.

O que a Igreja reconheceu

Dom José Belvino do Nascimento, bispo de Divinópolis, mandou fazer dois exames em laboratórios independentes e autorizou a veneração pública. Não há decreto: a Igreja nunca declarou o caso formalmente como milagre.

Fontes

O texto desta página foi escrito pelo Lumen Ecclesiae a partir dos fatos documentados nas fontes acima.